Estudantes do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS) da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) estão desenvolvendo pesquisas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar por meio do uso de ferramentas digitais. As iniciativas fazem parte do Programa Institucional de Iniciação Científica e Tecnológica na modalidade a distância (PIICT-EaD), ciclo 2025–2026, e estão sendo realizadas nos polos do TO Graduado de Palmas e Xambioá.
Os projetos buscam compreender como produtores rurais e feirantes utilizam redes sociais e aplicativos de comunicação para divulgar e vender seus produtos, além de identificar dificuldades enfrentadas no uso dessas tecnologias.
A partir desse diagnóstico, os pesquisadores pretendem desenvolver capacitações voltadas ao uso seguro e estratégico dessas ferramentas, contribuindo para ampliar as oportunidades de comercialização e fortalecer a autonomia dos produtores.
A coordenadora do curso de Tads, professora Stephany Moraes, frisa que a iniciativa vai além do desenvolvimento de um software. "Ao investigarem, por meio da iniciação científica, como plataformas digitais podem potencializar a comercialização da agricultura familiar, nossos estudantes transcendem o papel técnico da formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Eles desenvolvem uma visão sistêmica sobre os desafios reais de seus municípios, transformando-se em agentes de mudança. Mais do que desenvolver software ou aplicar metodologias, eles garantem que a tecnologia seja um motor de desenvolvimento regional, consolidando uma formação acadêmica robusta e alinhada às exigências de um mercado de trabalho cada vez mais humano e complexo", ressaltou.
Tecnologia a serviço do campo
No polo de Xambioá, a pesquisa intitulada “Segurança e autonomia no campo: a tecnologia como ferramenta de comercialização” tem como público-alvo pequenos agricultores do município. O projeto investiga o nível de conhecimento desses produtores sobre o uso de redes sociais e plataformas digitais para vendas, com foco em ferramentas como WhatsApp Business e Instagram.
O estudante bolsista Hirlas Michael Sousa da Conceição tem realizado entrevistas com agricultores e comerciantes durante a feira municipal da cidade. Segundo ele, o contato direto com os participantes revelou diferentes realidades, desde pessoas que nunca utilizaram redes sociais até aquelas que já sofreram golpes digitais e, por isso, deixaram de vender pela internet.
“A proposta do projeto não é apenas identificar o nível de conhecimento atual, mas também mostrar que as ferramentas digitais podem ser grandes aliadas para a comercialização dos produtos, desde que utilizadas com orientação e segurança”, destacou o estudante.
Inclusão digital
Já no polo de Palmas, o projeto “Empoderamento digital para agricultores familiares da região de Palmas: inclusão tecnológica e fortalecimento da comercialização” busca analisar como o desenvolvimento de competências em marketing digital pode impactar a autonomia e a visibilidade dos produtores rurais.
O estudante João Vitor Silva realizou entrevistas com feirantes das feiras da 1106 Sul e da 304 Sul, ouvindo 23 participantes sobre suas experiências com o uso das redes sociais na divulgação de produtos. Durante a coleta de dados, foram identificadas dificuldades como limitações no uso de celulares, pouca familiaridade com plataformas digitais e receio de fraudes online.
Apesar dos desafios, muitos produtores demonstraram interesse em aprender a utilizar essas ferramentas, especialmente por meio de orientações práticas e presenciais. “As entrevistas têm permitido compreender melhor a realidade dos produtores e orientar o desenvolvimento do projeto de forma mais alinhada às suas necessidades”, explicou João Vitor.
Próxima etapa
De acordo com a coordenadora e orientadora das pesquisas, professora doutora Sylla Figueredo da Silva, os projetos estão atualmente na fase de coleta de dados por meio de entrevistas semiestruturadas. A partir das informações levantadas, as próximas etapas incluem a realização de oficinas e treinamentos voltados ao uso das ferramentas digitais, com foco nas necessidades apontadas pelos participantes.
O projeto em Xambioá tem a coorientação da tutora Juliana Sousa do Nascimento; já no polo de Palmas a coorientação está sendo realizada pelo tutor Gleyber Paixão.
A iniciativa busca contribuir para o fortalecimento socioeconômico das comunidades atendidas, integrando tecnologia e saberes locais.