Visita técnica em plantação evidencia desafios produtivos, uso de tecnologias e gestão no agronegócio

A experiência dos alunos do Câmpus Paraíso permitiu relacionar a teoria com a realidade do campo, aproximando o conhecimento acadêmico das práticas do agronegócio

natália rezende Câmpus Paraíso 31/03/2026 19:05

Acadêmicos do curso Tecnologia em Gestão do Agronegócio durante a visita técnica à Fazenda Manguês, em Porto Nacional (Fotos: Natália Rezende / Dicom Unitins)


Cerca de 45 alunos do curso de Tecnologia em Gestão do Agronegócio/Câmpus Paraíso da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) participaram, na manhã de sábado, 28, de uma visita técnica à Fazenda Manguês, em Porto Nacional. Localizada a aproximadamente 30 km de Paraíso do Tocantins, a propriedade está às margens da rodovia TO-080, no trecho que liga o município a Palmas. Os acadêmicos foram recepcionados pelo proprietário, João Aguinaldo Rosa, e sua filha, Sara Rosa, que apresentaram a estrutura da propriedade e compartilharam experiências do cotidiano no campo.

A atividade foi orientada pelos docentes Diego Monteiro de Queiroz, Eliane Regina Archangelo e Stelamar do Amordivino, responsáveis por disciplinas ofertadas aos alunos do 1º, 3º e 5º períodos, como “Contabilidade Rural”, “Introdução ao Agronegócio”, “Estatística Básica”, “Gestão da Qualidade” e “Manejo e Conservação do Solo e da Água”.

A fazenda Manguês possui cerca de 1.100 hectares e produção estimada, em anos regulares, de 4 mil toneladas de soja, 4.200 toneladas de milho e 1.400 toneladas de sorgo por safra. Em 2026, no entanto, fatores climáticos e desafios logísticos impactaram a produção. A estimativa preliminar aponta redução para cerca de 3 mil toneladas de soja e 3.100 toneladas de milho, em razão, principalmente, do plantio fora da janela ideal. 

Durante a visita, os acadêmicos conheceram de perto os processos de cultivo das principais culturas da propriedade. Segundo o produtor João Rosa, o calendário agrícola depende diretamente das condições climáticas. “A chuva direciona todo o trabalho. O plantio da soja ocorre em outubro, com colheita prevista para julho. Em seguida, cultivamos o milho e, posteriormente, o sorgo, como alternativa estratégica”, explicou.

Na oportunidade, outro ponto foi abordado pelos produtores; sendo o custo de produção e o uso de tecnologias. De acordo com ele, “os investimentos em inovação são necessários para garantir produtividade. Somos a favor de pagar pela tecnologia, desde que ela funcione”, concluiu João Rosa.

Docentes da Unitins/Câmpus Paraíso, Eliane Regina Archangelo e Stelamar do Amordivino , e o produtor João Rosa,  a filha dele, Sara Rosa, e netos do proprietário


Os acadêmicos também acompanharam discussões sobre otimização do tempo de plantio. Atualmente, a fazenda conta com duas colheitadeiras e uma plantadeira, o que permite realizar o plantio em até dois dias, dependendo das condições climáticas.

Para Sara Rosa, filha do proprietário, formada em Direito, mas que aprendeu a profissão pelo amor ao campo, o processo exige planejamento constante. “Não existe solo pobre, existem desafios e a gestão adequada de cada área”, argumentou.

Durante a visita, foram apresentados ainda desafios enfrentados na lavoura, como o surgimento de plantas daninhas resistentes, além de estratégias de manejo do solo, como o uso de culturas de cobertura. Entre as alternativas adotadas pelos proprietários está o milheto, escolhido pela eficiência na reciclagem de nutrientes e menor custo com herbicidas.

A propriedade também mantém áreas de reserva e adota práticas sustentáveis. Os alunos conheceram silos, equipamentos e um talhão, área delimitada dentro da lavoura destinada ao manejo específico, além de acompanharam demonstrações práticas, como a aplicação de nitrogênio na lavoura de milho.

Acadêmicos observando a explicação de um dos funcionários da Fazenda sobre a correta aplicação de nitrogênio na lavoura 


Para a docente do curso Eliane Regina Archangelo, “toda a atividade permitiu aos alunos vivenciarem, na prática, técnicas como rotação de culturas, adubação e manejo do solo no sistema de plantio direto de soja e milho, fortalecendo a formação acadêmica e profissional dos futuros tecnólogos em agronegócio”, enfatizou.

Já a professora Stelamar do Amordivino alegou que “A experiência foi proveitosa ao integrar teoria e prática, evidenciando a importância da atenção aos detalhes para o sucesso da produção agrícola”.

A acadêmica do 1º período Elaine da Silva comentou sobre a importância da experiência prática durante a visita técnica. “Os produtores abordaram temas como preparo do solo, uso de tecnologias, funcionamento do silo e etapas do processo produtivo. As realidades apresentadas pelos proprietários dialogam com o conteúdo estudado e fazem sentido na gestão familiar, com meu pai e seu trabalho no campo, o que ampliou a minha compreensão e possibilidade de aplicação futura”.

“As visitas técnicas são essenciais para a formação acadêmica, por promoverem a integração entre teoria e prática. Essas atividades possibilitam aos discentes a vivência da realidade do setor produtivo, ampliando a compreensão dos desafios e das dinâmicas do agronegócio. Ademais, contribuem para o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de tomada de decisão. Dessa forma, fortalecem a preparação dos acadêmicos para uma atuação qualificada e alinhada às demandas do mercado de trabalho”, concluiu a coordenadora do curso de Tecnologia em Gestão do Agronegócio, docente Elis Regina de Queiroz Vieira.

Professora e alunas após assistirem o processo de preparo do solo com o equipamento


Docentes explicando o processo de armazenamento em silos, para acadêmicos de Tecnologia em Gestão do Agronegócio


Proprietários, alunos e docentes do curso na plantação de milho da propredade rural


 

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